Pedologia (Solo)
O solo é um recurso natural lentamente renovável.
Encontrado em diferentes posições na paisagem, formado pela ação do clima e dos organismos vivos sobre o material de origem, ao longo do tempo, modificado pela ação humana.
Sobre o Solo
O solo é uma fina camada superficial da terra.
Similar à pele, é o meio sólido de interação do planeta Terra com seu ambiente.
A manutenção dos solos em condições de realizar suas funções é fundamental para o bem-estar e sobrevivência do planeta.
Definição dos Solos
O solo é a camada superficial da litosfera, resultado do intemperismo.
Intemperismo: conjunto de processos que destroem a rocha (ação do clima sobre as rochas).
Tipos de Intemperismo e a Evolução do Solo
Tipos de intemperismo:
Químico (água).
Físico (raízes e animais).
Biológico (temperatura e ventos)..
Evolução do solo: Primitivo -> Jovem -> Maduro
Funções do Solo
Casa de uma biodiversidade imensa que atua na 'fitness' do solo, importante para o desenvolvimento de plantas saudáveis e produção de fármacos (ex: antibióticos).
Fundação para estradas, edificações, cidades e indústrias.
Armazém natural de carbono e água, elementos fundamentais para o equilíbrio e adaptabilidade de ecossistemas terrestres aos eventos climáticos extremos.
Meio mais importante para a produção agropecuária, principal fonte para alimentação humana.
Meio de produção de biomassa para produção de energia renovável (bioenergia).
Filtro natural que mantém os estoques subterrâneos de água doce limpos.
Etapas de Formação dos Solos
Desintegração das rochas, criando as partículas minerais.
Incorporação da matéria orgânica.
Componentes dos Solos
Partículas minerais.
Matéria orgânica.
Água.
Ar.
Fertilidade dos Solos
Componentes equilibrados no horizonte A.
As plantas preferem a faixa de pH neutro (de 6,5 à 7,5), ponto de equilíbrio no qual a maioria dos nutrientes permanecem disponíveis às raízes.
Horizontes ou Camadas do Solo
Um solo bem desenvolvido apresenta quatro tipos principais de horizontes:
O (horizonte orgânico).
A (horizonte agrícola).
B (horizonte de acumulação).
C (horizonte de transição).
Estes horizontes podem ser subdivididos (ex: A1, A2, A3, A11, A12, A13).
Observação: Vários autores chamam a Rocha Matriz de horizonte D ou R.
Horizontes do Solo (Perfis)
Zonais: Maduros/Profundos
Possuem todos os horizontes bem definidos (O, A, B, C).
Intrazonais: Rasos
Falta o horizonte "B".
Azonais: Prevalece a rocha
Solos jovens.
Rasos.
Formação do Solo
Processo:
Leito rochoso começa a se desintegrar.
A matéria orgânica facilita a desintegração.
Formam-se os horizontes.
O solo desenvolvido sustenta uma vegetação densa.
Perfil de Solo e Horizontes em Diferentes Zonas Climáticas
Zona tropical
Horizonte O
Horizonte A
Horizonte B
Horizonte C
Rocha matriz
Zona temperada
Horizonte A
Horizonte B
Horizonte C
Rocha matriz
Zona árida
Horizonte A
Horizonte B
Rocha não alterada
Características dos Horizontes dos Solos
Horizonte O: Orgânico, formado por húmus (matéria orgânica decomposta). Apresenta tonalidade escura, característico de regiões florestais.
Horizonte A: Agrícola, camada mineral mais próxima da superfície. Apresenta textura grosseira, com predominância de areia. Tonalidade escura devido à grande quantidade de húmus. Encontramos as raízes e diversos animais.
Horizonte B: Acumulação das argilas, transportadas do Horizonte A. Apresenta tonalidade que varia do amarelo ao vermelho e granulometria fina.
Horizonte C: Transição entre a rocha e o solo. Formado por fragmentos de rocha semidecompostos (não totalmente intemperizados).
Classificação dos Solos
Quanto à origem:
Aluvial ou de Aluvião ou Azonal: Formado por sedimentos transportados e depositados (ex: solos de loess, dunas e solos de várzea).
Eluvial ou de Eluvião ou Zonal: Formado por detritos resultantes do intemperismo da rocha matriz abaixo (ex: terra roxa, massapê e latossolos).
Quanto à textura:
Argilosos: Textura fina e impermeáveis, com dificuldades no manejo agrícola (ex: massapê, grumossolo).
Arenoso: Textura grosseira e elevada porosidade, facilita a aeração e a lixiviação (ex: Podzóis).
Argilo-arenosos: Textura média, com fácil manejo agrícola (ex: latossolo).
Tipos de Solos Quanto à Origem
Solos Eluviais: Formam-se no próprio local onde a rocha se decompôs (ex: solos de massapé e terra roxa).
Solos Aluviais: Constituídos por acúmulo de sedimentos e partículas, transportados a grandes distâncias por força das águas (deltas de rios, várzeas etc.) e dos ventos (solo de loess).
Principais Solos do Brasil e do Mundo
Latossolo ou Laterítico: Completo, profundo, lixiviado, geralmente ácido e pobre. Encontrado em regiões de climas tropicais e equatoriais. Prevalece no Brasil (Centro Oeste, Oeste Baiano, Amazônia).
Terra roxa: Formado pela decomposição dos basaltos e diabásios, vulcânico, profundo, completo e altamente fértil. Encontrado no Sul do país e muito utilizado na economia cafeeira (hoje soja no PR e cana em SP).
Vertissolo ou Massapê: Formado a partir da decomposição dos granitos e gnaisses, às vezes, do calcáreo. Apresenta textura fina, rico em matéria orgânica, encontrado na Zona da Mata Nordestina (cana).
Solo de várzea: Oriundo de acúmulo de sedimentos transportados pelos rios. Solos ricos, serve principalmente na produção de arroz (rizicultura).
Solos de Loess: Apresenta textura fina, fértil, formado por silte, transportado e depositado pelos ventos. Encontrado no Sul da China, no Mississipi (EUA) e na Argentina.
Thernozion (chernozêmico): Escuro, altamente fértil, encontrado em climas mais secos e relacionado com vegetação de estepes (Ucrânia e centro da Rússia). Desenvolve a triticultura (trigo). Chernossolo nos EUA.
Solos Brasileiros
Lista de solos brasileiros:
Argissolos
Cambissolos
Chernossolos
Espodossolos
Gleissolos
Latossolos
Luvissolos
Neossolos
Nitossolos
Planossolos
Plintossolos
Organossolos
Vertissolos
Problemas dos Solos Brasileiros
Lixiviação:
Processo de retirada dos sais minerais por excesso de água.
Laterização ou latolização:
Fenômeno típico de regiões de clima tropical, que acelera a lixiviação do solo, retirando os sais e concentrando o ferro (vermelho) e/ou alumínio.
Com a laterização, aparecem fragmentos de rocha ferruginosa denominada laterita, canga ou ainda carapaça, comum no Brasil Central.
Acidez dos solos:
Proporção elevada do hidrogênio iônico na solução do solo.
Os solos brasileiros têm acidez e alumínio, o qual é tóxico para plantas.
Utilizamos a calagem (uso do cal) para diminuir a acidez, ou seja, aumentar o pH do solo, e fornecer cálcio e magnésio para as plantas.
O grau de acidez é expresso pelo símbolo pH e a escala varia de 0 até 14.
Solos ácidos possuem pH entre 0 e 6,4; neutros entre 6,5 e 7,5; e acima de 7,6 são alcalinos.
Erosão:
O mais grave dos problemas do solo: processo de destruição do solo.
Pode ser produzida por fatores naturais, mas principalmente pela ação antrópica (desmatamento, queimadas, cortes de barrancos).
As chuvas fortes podem originar sulcos denominados de ravinas.
Se não forem controlados, estes sulcos podem crescer e se transformar em boçorocas ou voçorocas.
Voçoroca:
Do tupi antigo ybysoroka, "terra rasgada" (yby = "terra" + sorok = "rasgar-se, romper-se").
Grandes buracos escavados pela chuva.
Erosão.
Desmatamento.
Solo empobrecido.
Assoreamento.
Crise climática.
Uso excessivo das queimadas:
Aspectos positivos:
Limpeza rápida dos solos.
As cinzas ricas em cálcio e potássio geram uma fertilidade temporária ou enganosa.
Aspectos negativos:
Elimina matéria orgânica, água, microrganismos e o ar dos solos.
Com o tempo, há o esgotamento dos nutrientes, gerando o abandono temporário da terra (rotação de terras).
Agricultura de subsistência.
Causas das Queimadas
Quase todas as queimadas são causadas por humanos
Causas Naturais: pequena minoria tem causas naturais.
Causas Humanas: balões, limpeza de pastos, colheita manual da cana, vandalismo, disputas fundiárias, preparo de plantios, protestos.
Processos de Degradação dos Solos
Erosão:
Remoção + transporte + deposição de sedimentos.
Eólica (ventos), pluvial (chuvas), fluvial (rios), glacial (geleiras), marinha.
Em encostas forma: ravinas (sulcos pequenos) e voçorocas (sulcos grandes).
Associada ao assoreamento dos rios.
Lixiviação:
Solubilização de sais.
Intensa em áreas úmidas.
"Lavagem dos solos".
Resultado da infiltração e percolação da água.
Empobrecimento dos solos.
Salinização:
Aumento da concentração de sais nas camadas superficiais dos solos.
Áreas semiáridas ou áridas (elevada evaporação).
Intensificada pela irrigação e baixa drenagem.
Laterização:
Carapaça ferruginosa (ou de alumínio).
Típica de climas tropicais.
Sazonalidade das chuvas.
Chuvas: intensa lixiviação de sais.
Estiagem: terra seca (desidratada) rica em ferro (ou alumínio).
Onde: Cerrado (campo rupestre).
Arenização:
Formação de areais.
Climas úmidos.
Natural: intemperismo do arenito.
Antrópica (causa): compactação dos solos (pecuária bovina e mecanização).
Desertificação:
Típicas de áreas semiáridas (baixa pluviosidade natural).
Origem antrópica: remoção da cobertura vegetal nativa.
Queda da evapotranspiração.
Aumento da duração da estação seca.
Solos mais secos.
Conservação do Solo
A conservação do solo se baseia em aplicar práticas que promovam seu uso sustentável: planejar ações que permitam seu uso ao longo do tempo, sem degradá-lo.
Práticas de Conservação dos Solos
Uso de curvas de nível ou terraços em encostas.
Uso de rotação de cultivos ou culturas:
Troca das culturas plantadas em uma mesma área produtiva após o final de cada safra.
O agricultor escolhe culturas que combinem propósitos comerciais e de recuperação do solo.
Exemplo de Rotação de Culturas:
Algodão -> Soja -> Soja -> Pastagem
Uso adequado de insumos agrícolas:
Fertilizantes químicos.
Adubos orgânicos.
Irrigação.
Máquinas para viabilizar o plantio e o cultivo.
Agrotóxicos ou defensivos agrícolas.
Controle biológico de pragas:
Uso de predadores.
Uso de armadilhas biológicas.
Uso de sementes especiais híbridas ou transgênicas.
Agroflorestas: sistema que reúne as culturas de importância agronômica em consórcio com a floresta. Sistema de plantio de alimentos sustentável que recupera uma floresta.