Capítulo 2, Seção A: Definições

Capítulo 2, Seção A: Definições

Linha de Flutuação

  • Definição: É a interseção entre a superfície da água e o contorno exterior do navio.

  • Representação: A linha de flutuação está representada na figura 2.2.

  • Classificações nos Navios:

    • Navios Mercantes: Linha de flutuação em plena carga ou leve.

    • Navios de Guerra: Uso dos deslocamentos normal e padrão.

    • Linha d'água de projeto: Linha de flutuação correspondente ao calado para o qual o navio foi projetado.

Área de Flutuação

  • Definição: Área limitada pela linha de flutuação.

  • Visualização: Corte horizontal no casco na linha de flutuação revela a área de flutuação.

Flutuações Isocarenas

  • Definição: Ocorre quando dois planos de flutuação limitam volumes iguais de água deslocada.

  • Características: As flutuações são sempre isocarenas quando o navio se inclina lateralmente; a parte emergida em ambos os bordões é igual e a porção imersa da carena muda de forma, mas não de volume.

Princípio de Arquimedes

  • Aplicabilidade: Enquanto o navio não sofrer carga adicional ou descargas, ou não mudar a densidade da água, qualquer flutuação será exocarena.

  • Definição de Exocarena: O navio pode inclinar-se para bombordo ou boreste, tendo sempre o mesmo volume submerso.

Linha d'água Projetada (LAP)

  • Definição: Principal linha de flutuação que o construtor estabelece no plano de linhas do navio.

  • Observações nos Navios:

    • Mercantes: Refere-se ao calado de projeto.

    • Guerra: Refere-se à flutuação normal.

  • Condições: A linha d'água projetada pode não coincidir com linhas de flutuação atuais devido à distribuição de pesos durante a construção.

Superfície Moldada

  • Definição: Superfície contínua imaginária que passa pelas faces externas do cavername e dos vaus.

  • Interseção: Coincide com a face interna do chapeamento.

  • Casco Liso: Para embarcações de casco liso, a superfície moldada coincide com a face interna.

  • Dados dos Cascos: Em cascos maciços ou chatos, a parte inferior da superfície moldada coincide com a face superior da chapa quilha.

  • Linhas Moldadas: Referidas à superfície moldada em navios de casco metálico, representando a diferença em espessura do chapeamento.

  • Exemplo do Contratorpedeiro:

    • Boca Moldada: 35 pés e 5 polegadas.

    • Boca Máxima: 35 pés e 6 polegadas.

    • Espessura do Chapeamento: Meia polegada.

    • Diferença entre Boca Moldada e Boca Máxima: 1 polegada.

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    • A superfície moldada (ou superfície moldada do casco) é uma superfície geométrica teórica e imaginária que define a forma externa exata de um navio.

      Definição Técnica

      Ela corresponde à face interna das chapas do casco (em navios de aço ou alumínio) ou à face externa da estrutura de madeira/compósito. Em termos simples: é a forma que o navio teria se as chapas do revestimento externo fossem infinitamente finas [1, 3].

      Importância na Construção Naval

      A superfície moldada é a referência para todos os cálculos e medições do projeto:

      • Plano de Linhas: É a base para o desenho do Plano de Linhas, que projeta a forma do navio em três planos (longitudinal, transversal e horizontal) [1, 2].

      • Dimensões Moldadas: Termos como Boca Moldada, Pontal Moldado e Calado Moldado referem-se a medidas tomadas a partir desta superfície teórica, ignorando a espessura das chapas externas [2, 3].

      • Cálculos de Hidrostática: Os cálculos de volume de carena (deslocamento), estabilidade e centros de gravidade/carena são realizados utilizando a superfície moldada como limite [1, 2].

      Pontos de Referência Associados

      1. Linha de Base Moldada: A linha horizontal que passa pela parte superior da quilha (no ponto mais baixo da superfície moldada).

      2. Plano de Simetria: O plano vertical que divide a superfície moldada em duas metades idênticas (boreste e bombordo) [2].

      Ao medir o volume total para fins de arqueação, os engenheiros utilizam essa superfície para garantir precisão matemática, já que a espessura das chapas pode variar em diferentes partes do navio.

    • Para entender as dimensões moldadas, imagine que o navio é uma escultura de metal. As dimensões moldadas não levam em conta a espessura da chapa do casco. Elas medem o "esqueleto" ou o volume interno teórico.

      Aqui está a explicação de cada uma:

      1. Boca Moldada (B)

      É a largura máxima do navio medida entre as faces internas das chapas do casco.

      • Como visualizar: Se você atravessasse uma fita métrica por dentro do navio, de um lado ao outro na parte mais larga, sem contar a grossura do aço das paredes laterais, essa seria a boca moldada.

      2. Pontal Moldado (D)

      É a distância vertical medida sobre o plano de simetria (no meio do navio), entre a face superior da quilha e a face inferior da chapa do convés principal.

      • Como visualizar: É a "altura" total do corpo do navio, do "chão" (quilha) até o "teto" (convés), medida por dentro.

      3. Calado Moldado (d)

      É a distância vertical entre a face superior da quilha e a linha d'água (onde a água toca o navio).

      • Como visualizar: É a parte do navio que está mergulhada. O calado moldado mede apenas a distância da água até a parte de cima da quilha.

      • Diferença importante: O Calado Real (o que você lê nas marcas de escala no casco) inclui a espessura da chapa da quilha, portanto é alguns centímetros maior que o calado moldado.


      Por que essas medidas existem?

      Os engenheiros navais usam as dimensões moldadas para calcular o volume e a flutuabilidade porque:

      1. Fica mais fácil desenhar o projeto no computador sem se preocupar com chapas de diferentes espessuras.

      2. Permite calcular exatamente quanto de carga cabe nos tanques e porões.

      Resumo visual:

      • Boca: Largura (por dentro).

      • Pontal: Altura total do casco (por dentro).

      • Calado: O quanto o navio afundou (da quilha até a linha d'água).

Superfície da Carena

  • Definição: Superfície da carena medida por fora, excluindo apêndices.

  • Composição: A área total inclui a superfície da carena e a superfície do costado, permitindo o cálculo aproximado do peso do chapeamento exterior do casco.

  • Cuidado com a Definição: No contexto atualizado, o costado é a parte acima da linha de flutuação.

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  • A superfície da carena (também chamada de superfície molhada) é a parte externa do casco de uma embarcação que fica em contato direto com a água. [1, 2]

    Em termos técnicos e de projeto em 2026, ela possui as seguintes características:

    1. Definição e Limites

    • Abaixo da Linha d'Água: Compreende toda a área do casco que vai da quilha até a linha de flutuação (onde a água toca o navio). [1]

    • Variabilidade: A área da superfície da carena não é fixa; ela aumenta ou diminui dependendo da carga que o navio carrega (o que altera o seu calado). [2]

    2. Importância para a Navegação

    • Resistência ao Avanço: É a principal responsável pelo "atrito" entre o navio e a água (resistência viscosa). Quanto maior ou mais rugosa for a superfície da carena, mais combustível o navio gasta para se mover. [2]

    • Cálculo de Deslocamento: O volume delimitado por essa superfície determina o peso da água deslocada, o que define a flutuabilidade do navio de acordo com o Princípio de Arquimedes. [1]

    3. Manutenção e Revestimento

    Como está constantemente submersa, esta superfície exige cuidados especiais:

    • Pintura Antifouling (Anti-incrustante): São aplicadas tintas especiais para evitar que cracas, algas e moluscos grudem no casco, o que aumentaria o consumo de combustível em até 40%. [2]

    • Proteção Catódica: Utiliza anodos de sacrifício (geralmente zinco ou alumínio) fixados na superfície para evitar a corrosão do aço do casco pela eletrólise na água salgada. [2]

    4. Diferença de "Carena" e "Obras Vivas"

    Embora os termos sejam usados como sinônimos, tecnicamente:

    • Obras Vivas: É a denominação da parte do casco abaixo do plano de flutuação.

    • Carena: Refere-se especificamente ao formato ou à configuração dessa parte submersa. [

Superfície Molhada

  • Definição: Superfície externa da carena em contato com a água, somando a superfície da carena e dos apêndices.

  • Importância: Necessária para calcular a resistência ao movimento do navio. Utilizada para estimar a quantidade de tinta necessária para a pintura do casco.

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  • De acordo com a 8ª edição da Arte Naval (2019) — a mais atualizada e utilizada como referência oficial pela Marinha do Brasil em 2026 — a superfície molhada é definida tecnicamente da seguinte forma:

    Definição

    É a superfície externa do casco abaixo do plano de flutuação, ou seja, toda a área da embarcação que está em contato direto com a água [1].

    Pontos Importantes na Obra:

    1. Carena e Obras Vivas: O livro utiliza o termo "superfície da carena" ou "superfície das obras vivas" como sinônimos de superfície molhada. Ela delimita o volume de água deslocado pelo navio [1, 2].

    2. Resistência de Atrito: A 8ª edição destaca que a superfície molhada é o fator determinante para o cálculo da resistência de fricção (ou viscosa). Quanto maior a área molhada ou maior a sua rugosidade (presença de cracas ou má pintura), maior será a potência necessária das máquinas para manter a velocidade [2].

    3. Variação com o Calado: A obra explica que esta superfície não é uma medida fixa; ela varia de acordo com o calado da embarcação. Navios em "condição de carga máxima" possuem uma superfície molhada significativamente maior do que quando estão em "condição leve" (vazios) [1].

    4. Cálculo de Pintura: Na prática de manutenção abordada no livro, a área da superfície molhada é o dado utilizado para calcular a quantidade de tinta anti-incrustante necessária para a docagem [2].

    Diferença de Superfície Moldada

    Diferente da superfície moldada (que é uma linha teórica interna usada para desenho), a superfície molhada refere-se à face externa das chapas que efetivamente "se molham"

Volume da Forma Moldada

  • Definição: Volume compreendido entre a superfície moldada e um determinado plano de flutuação.

  • Visualização: Por exemplo, a cota 10 pode ser utilizada para determinar esse volume.

Volume da Carena

  • Definição: Volume compreendido entre a superfície molhada e um dado plano de flutuação.

  • Cuidado: A definição do volume da carena utiliza a superfície molhada, incluindo os apêndices.

  • Cálculos de Deslocamento: O volume da carena é fundamental para o cálculo dos deslocamentos dos navios.

    • Metálico: Volume do deslocamento moldado + volume dos apêndices.

    • Madeira: Volume do casco referindo-se ao forro exterior + volume dos apêndices.

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    • Segundo a 8ª edição da Arte Naval, de Maurílio Fonseca, o volume da forma moldada é o volume compreendido entre a superfície moldada do casco e um determinado plano de flutuação. 

      Entendendo o Conceito

      • Superfície Moldada: Como explicado anteriormente, é a superfície teórica interna das chapas do casco (sem a espessura do material).

      • Plano de Flutuação: É o plano horizontal que representa a linha d'água em um determinado calado. 

      O volume da forma moldada, portanto, é a quantidade exata de água que o navio desloca (volume da carena) se considerarmos apenas o seu formato "moldado" ou o "esqueleto" do casco.

      Finalidade

      Este volume é crucial na arquitetura naval por vários motivos:

      • Cálculos Hidrostáticos: É a medida padrão usada em engenharia para calcular o deslocamento (peso do navio), o empuxo (força de flutuação) e a estabilidade.

      • Precisão do Projeto: Usar o volume moldado permite que os engenheiros trabalhem com uma geometria de referência consistente, pois ignora as variações de espessura que as chapas reais podem ter.

      • Coeficientes de Forma: É a base para calcular importantes coeficientes navais, como o coeficiente de bloco (Cb), que indica a "gordura" ou a forma hidrodinâmica do navio. 

Altura do Fundo ou Pé de Caverna

  • Definição: Altura a que se eleva o fundo do casco no ponto de encontro entre a tangente ao costado vertical e o prolongamento do fundo do casco.

  • Medidas: Medida nas linhas moldadas, variando em cascos em formato de U, geralmente próximo a 0.

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  • Segundo a 8ª edição da Arte Naval, a altura do fundo (termo em português) ou pé de caverna (rise of floor em inglês) é uma medida vertical que descreve a inclinação do fundo do casco. 

    Definição e Medição

    • Definição: É a altura a que se eleva o fundo do casco, da quilha (linha central inferior) até o bojo (a parte curva onde o fundo encontra o costado vertical).

    • Onde é Medida: É medida nas linhas moldadas, ou seja, na geometria teórica do navio, ignorando a espessura das chapas.

    • Ponto de Referência: É a distância vertical entre a linha de base moldada (parte superior da quilha, por dentro) e o ponto onde a tangente ao costado vertical encontra o prolongamento da linha do fundo do casco. 

    Função e Importância

    • Forma do Casco: O pé de caverna determina o formato do casco na seção transversal. Um valor maior indica um fundo mais afilado em forma de "V", enquanto um valor próximo de zero indica um fundo mais plano.

    • Hidrodinâmica: Essa inclinação influencia diretamente a estabilidade inicial e a resistência ao avanço da embarcação. Cascos com maior pé de caverna geralmente têm melhor desempenho em mar agitado, "cortando" as ondas.

    • Drenagem: Um pé de caverna positivo também auxilia na drenagem de líquidos para a área central do navio (a "suga"), onde podem ser bombeados para fora. 

    Em resumo, é a medida que quantifica o quanto o fundo do navio se inclina para cima a partir da quilha em direção às laterais.

  • Para entender a Altura do Fundo (Pé de Caverna), imagine o navio de frente, como se estivesse cortado ao meio.

    A Explicação Simples

    Nem todo navio tem o fundo totalmente reto (plano) como o chão de uma casa. Muitos navios têm o fundo inclinado para cima, subindo da parte central (quilha) em direção às laterais.

    • O que é: É a medida dessa "subida".

    • Imagine uma letra "V" bem aberta: A ponta de baixo do "V" é a quilha. A distância vertical entre essa ponta e onde o fundo começa a virar para cima para virar a parede do navio (costado) é o Pé de Caverna.

    Na Prática (Resumo da Arte Naval 8ª Edição):

    1. Navios de Fundo Chato: O pé de caverna é zero (o fundo é reto).

    2. Navios de Fundo em V (Veleiros ou Navios Velozes): O pé de caverna é alto, pois o fundo sobe bastante antes de encontrar as laterais.

    Por que se chama "Pé de Caverna"?

    As "cavernas" são as costelas do navio. O "pé" da caverna é a parte de baixo dessa costela, onde ela se apoia ou se une à quilha. A altura desse ponto em relação à linha horizontal da quilha dá o nome à medida.

    Em resumo: É o quanto o fundo do navio é inclinado para cima em vez de ser totalmente plano.

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  • 1. Navios Mercantes de Grande Porte (Cargueiros, Graneleiros)

    Geralmente possuem Pé de Caverna igual a ZERO (ou quase zero).

    • Motivo: Esses navios possuem o chamado "fundo chato". O objetivo é maximizar o volume de carga e facilitar o empilhamento de containers ou a acomodação de minério/grãos. Um fundo reto permite que o navio carregue o máximo possível com o menor calado.

    2. Navios Petroleiros

    Também possuem Pé de Caverna igual a ZERO.

    • Motivo: Assim como os graneleiros, os petroleiros buscam capacidade volumétrica máxima. Além disso, o fundo chato facilita a construção com o sistema de casco duplo (exigência ambiental moderna), garantindo uma estrutura estável para os tanques de carga.

    3. Navios que possuem Pé de Caverna POSITIVO

    O pé de caverna positivo (fundo inclinado em "V") é encontrado em:

    • Navios de Alta Velocidade: Fragatas, corvetas e lanchas rápidas. O fundo em "V" ajuda a cortar as ondas e reduz o impacto (batida) do casco na água em altas velocidades.

    • Rebocadores: Para melhorar a estabilidade e a manobrabilidade durante as operações de apoio.

    • Veleiros de Cruzeiro: Para melhorar o desempenho hidrodinâmico e a estabilidade direcional.

    Resumo da Arte Naval 8:

    • Pé de Caverna Zero: Comum em navios que priorizam volume de carga (Mercantes e Petroleiros).

    • Pé de Caverna Positivo: Comum em navios que priorizam velocidade e comportamento no mar (Militares e Embarcações de Recreio)

Adelgaçamento

  • Definição: Curvatura ou inclinação para dentro do costado acima de uma determinada altura.

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  • conferência com a 8ª edição da Arte Naval (2019), o adelgaçamento é um termo técnico da geometria do navio que descreve a redução das dimensões do casco à medida que ele se afasta da sua seção mestra (a parte mais larga do navio).

    Aqui estão os pontos principais sobre o adelgaçamento conforme a obra:

    1. Definição

    O adelgaçamento é a diminuição gradual da largura (boca) e da altura (pontal) das formas do navio em direção às extremidades, ou seja, em direção à proa (frente) e à popa (atrás).

    2. Finalidade Hidrodinâmica

    Diferente da parte central do navio, que costuma ser mais "quadrada" ou retangular para carregar carga, as extremidades precisam ser "adelgaçadas" (finas) para:

    • Proa: Permitir que o navio corte a água com menos resistência (penetração).

    • Popa: Permitir que a água flua suavemente em direção ao hélice e ao leme, melhorando a propulsão e o governo.

    3. As "Obras de Adelgaçamento"

    O livro refere-se às partes da proa e da popa onde as formas são mais finas como as obras de adelgaçamento.

    • Um navio com "muito adelgaçamento" é um navio de linhas finas e veloz (como uma fragata).

    • Um navio com "pouco adelgaçamento" é um navio mais "cheio" ou "bojudo", priorizando o espaço de carga (como um petroleiro ou graneleiro).

    4. Relação com a Seção Mestra

    A seção mestra é o ponto de referência. O adelgaçamento começa a partir do fim da "parte reta" (corpo paralelo) do navio. Em navios mercantes modernos, o adelgaçamento é muito brusco nas extremidades para que a maior parte do corpo do navio seja reta e caiba mais carga.

    Resumo:
    Adelgaçar significa tornar o casco mais fino e afilado para que ele navegue melhor. É o oposto de um casco "quadrado"

Delgados

  • Definição: Partes mais afiladas da carena, avante e à ré, em relação à roda de proa e do cadaste.

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  • De acordo com a 8ª edição da Arte Naval (2019/2026), os delgados (também chamados de delgados da popa e delgados da proa) são as partes do casco de um navio que apresentam as formas mais afiladas ou estreitas.

    Aqui estão os pontos fundamentais definidos na obra:

    1. Localização

    Os delgados situam-se nas extremidades da embarcação:

    • Delgados da Proa: A parte dianteira, onde o casco se afunila para formar a roda de proa e "cortar" a água.

    • Delgados da Popa: A parte traseira, onde o casco se estreita para dar passagem à água em direção ao hélice e ao leme.

    2. Função Hidrodinâmica

    Diferente da seção mestra (meio do navio), que é larga para dar estabilidade e espaço, os delgados servem para:

    • Diminuir a Resistência: Facilitar o deslocamento da água, reduzindo o esforço do motor.

    • Governo e Propulsão: No caso dos delgados da popa, sua forma permite que o fluxo de água chegue de maneira "limpa" ao hélice, garantindo maior eficiência na propulsão.

    3. Delgados e o Tipo de Navio

    A 8ª edição explica que a extensão dos delgados varia conforme o uso do navio:

    • Navios de Guerra (Fragatas, Corvetas): Possuem delgados muito compridos e finos, pois priorizam a velocidade.

    • Navios Mercantes (Petroleiros, Graneleiros): Possuem delgados muito curtos, pois priorizam o volume de carga (espaço interno), tornando o navio mais "quadrado".

    4. Diferença entre Adelgaçamento e Delgados

    Embora relacionados, há uma pequena distinção técnica:

    • Adelgaçamento: É o processo ou a ação de estreitar as formas (a geometria).

    • Delgados: São as regiões físicas ou as partes do navio onde esse estreitamento é visível.

    Em resumo, os delgados são as "pontas finas" do navio, essenciais para que ele navegue com eficiência e boa manobrabilidade

Alargamento

  • Definição: Curvatura ou inclinação para fora do costado do navio, comum na região da proa.

  • Observação: O alargamento é o oposto do adelgaçamento.

Curvatura do Vau

  • Definição: Curvatura que permite que a água escorra para o costado, comum em convezes expostos e acima da linha d'água.

  • Formas: Pode ser um arco de circunferência, de parábola ou segmentos retos.

Linha Reta do Vau

  • Definição: Linha que une as interseções da face superior do vau com as faces exteriores da caverna correspondente.

Flecha do Vau

  • Definição: Maior distância entre a face superior do vau e a linha reta resultante da curvatura do vau, medida no plano diametral do navio.

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  • Segundo a 8ª edição da Arte Naval, de Maurílio Fonseca, estes termos referem-se à forma como o convés é construído, especificamente sua curvatura lateral para fins de resistência e drenagem.

    1. Curvatura do Vau (Cambota)

    A curvatura do vau (termo técnico mais comum é cambota ou camber em inglês) é a elevação do convés em seu centro, em relação às laterais (bordas).

    • Forma: O convés não é totalmente plano; ele é ligeiramente abaulado, mais alto no meio e desce suavemente para os bordos.

    • Função: Principalmente para drenagem. Impede que a água da chuva ou das ondas (salpicos) fique empoçada no convés, fazendo-a escoar para as laterais, onde estão localizados os embornais (ralos) que a levam para fora do navio.

    2. Linha Reta do Vau (Linha de Meio do Convés)

    A linha reta do vau refere-se ao eixo longitudinal de referência ao longo do qual a medida da curvatura do vau é aplicada.

    • Função: É a linha de centro do navio no plano horizontal do convés. A altura máxima da cambota (curvatura) ocorre exatamente nesta linha reta, enquanto a altura mínima ocorre nos bordos.

    3. Flecha do Vau (Flecha da Cambota)

    A flecha do vau é a medida vertical da curvatura do vau.

    • Forma: É a diferença de altura entre o ponto mais alto do convés (na linha de centro) e o ponto mais baixo (na lateral ou bordo).

    • Função: É o valor quantitativo que define o grau de inclinação para a drenagem da água. A Arte Naval especifica que essa medida é proporcional à boca (largura) do navio, geralmente um sexagésimo (1/60) da boca do navio.


    Resumo na Prática:

    Imagine um elástico esticado na largura do navio:

    • A Linha Reta do Vau é o centro onde você puxa o elástico para cima.

    • A Curvatura do Vau é a forma arqueada que o elástico assume.

    • A Flecha do Vau é a altura exata que você puxou o elástico para cima.

Mediania

  • Definição: Interseção do pavimento com o plano diametral do navio, formando uma linha imaginária que divide o casco longitudinalmente em dois bordos.

Cessão Ameianal

  • Definição: Seção transversal a meio comprimento entre perpendiculares.

  • Seção Transversal: Qualquer seção determinada no casco por plano transversal.

  • Seção Mestra: Seção transversal mais significativa, geralmente situada a meia nau ou muito próxima dela.

Proporções dos Navios

  • Navios Cheios: Seções transversais iguais ao longo do comprimento do navio, associado a grande coeficiente de bloco.

  • Navios Finos: Seções transversais variam ao longo do comprimento, apresentando menor coeficiente de bloco.

Estabilidade Transversal

  • Definição: Para um navio ter equilíbrio estável, o centro de gravidade deve estar abaixo do metacentro.

Centro de Gravidade
  • Definição: Ponto de aplicação da resultante de todos os pesos a bordo.

  • Características da Soma dos Momentos: A soma dos momentos de todos os pesos em relação a qualquer eixo que passe pelo centro de gravidade é igual a 0.

Exemplos com Centro de Gravidade
  • Gangorra: Para calcular a força F necessário para equilibrar os pesos, o equilíbrio é alcançado com uma força de 10 Newtons em uma extremidade e 5 Newtons em outra, calculada como exemplo de somas de momento.

Importância do Centro de Gravidade

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De acordo com a 8ª edição da Arte Naval, o Centro de Gravidade (G) é o ponto de aplicação da resultante de todos os pesos do navio (casco, máquinas, carga, combustível, tripulação, etc.).

Sua importância é vital por três razões principais:

1. Determinação da Estabilidade (Altura Metacêntrica)

A segurança do navio depende da distância entre o G e o Metacentro (M).

  • Para o navio ser estável, o G deve estar abaixo do M (GM positivo).

  • Se o Centro de Gravidade subir demais (devido a excesso de carga no convés ou tanques altos cheios), o navio torna-se "instável" ou "sonolento", aumentando o risco de emborcamento [10, 11].

2. Criação do Binário de Restauração

Quando o navio inclina lateralmente, o peso (atuando no G) e o empuxo (atuando no centro de carena B) formam um "braço de alavanca" (chamado GZ).

  • É essa distância, partindo do G, que gera a força necessária para o navio retornar à posição vertical após o balanço [11, 12].

3. Controle de Banda (Inclinação Permanente)

A posição lateral do Centro de Gravidade define se o navio navegará aprumado.

  • Se o G sair do plano de simetria (devido a carga mal distribuída ou consumo desigual de combustível), o navio navegará com banda (inclinado para um dos lados), o que compromete a manobrabilidade e a eficiência do casco [11, 12].

4. Controle de Trim (Compensação Longitudinal)

A posição longitudinal do G determina o trim (se o navio está mais "afundado" de proa ou de popa).

  • Um G muito à vante causa trim de proa, o que dificulta o governo e pode causar o embarque de água no convés.

  • Um G muito à ré pode elevar demais a proa, expondo o hélice e reduzindo a eficiência propulsora [10, 11].

Resumo da Arte Naval 8: O Centro de Gravidade é o ponto que o comandante "gerencia" por meio do plano de carga e lastro para garantir que o navio não apenas flutue, mas navegue de forma segura e eficiente

  • Cálculos de Flutuabilidade e Estabilidade: O centro de gravidade é crucial em termos de equilíbrio; está normalmente localizado no plano diametral em navios simétricos.

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  • De acordo com a

    8ª edição da Arte Naval (2019/2026), os cálculos de flutuabilidade e estabilidade são fundamentais para garantir a segurança da navegação e a integridade da carga. O livro aborda esses temas de forma técnica e prática nos capítulos voltados à Arquitetura Naval. 

    Aqui estão os pilares desses cálculos conforme a obra: 

    1. Cálculos de Flutuabilidade (Princípio de Arquimedes) 

    A flutuabilidade baseia-se no equilíbrio entre o peso do navio e o empuxo da água. 

    • Deslocamento (

      Δcap delta

      Δ

      ): É o peso da água deslocada pelo navio. O cálculo é feito multiplicando-se o Volume da Carena (

      Vcap V

      𝑉

      ) pela densidade da água (

      ρrho

      𝜌

      ).

      • Δ=V×ρcap delta equals cap V cross rho

        Δ=𝑉×𝜌

    • Reserva de Flutuabilidade: A 8ª edição define como o volume estanque do navio situado acima da linha d’água (obras mortas). É o que permite ao navio continuar flutuando caso ocorra um alagamento parcial.

    • Tonelagem de Arqueação: Cálculos de volume interno usados para fins fiscais e de taxas portuárias. 

    2. Cálculos de Estabilidade Transversal Inicial 

    Para pequenas inclinações (até 10° ou 15°), a estabilidade é calculada através da Altura Metacêntrica (GM): 

    • Fórmula do GM:

      GM=KM−KGcap G cap M equals cap K cap M minus cap K cap G

      𝐺𝑀=𝐾𝑀−𝐾𝐺

      • KM: Distância da quilha ao Metacentro (dado pelas curvas hidrostáticas do projeto).

      • KG: Distância da quilha ao Centro de Gravidade (calculado somando-se os momentos de todos os pesos a bordo).

    • Braço de Endireitamento (GZ): É a distância horizontal entre as linhas de ação do peso e do empuxo. O cálculo do momento restaurador é dado por:

      M restaurador=Δ×GZ.

(Delta Maiúsculo) = Deslocamento 

Representa o Peso Total do Navio em toneladas. 

  • Pela lei da física (Arquimedes), o peso do navio é igual ao peso da água que ele empurra para os lados.

  • 4. Estabilidade em Grandes Ângulos (Estabilidade Estática)

    Para inclinações maiores, a Arte Naval 8 orienta o uso da Curva de Estabilidade Estática (Curva de GZ). Ela mostra até que ângulo o navio pode inclinar antes de perder a capacidade de retornar à posição vertical (ângulo de emborcamento).

    5. Efeito de Superfície Livre (ESL)

    Um ponto crítico destacado na 8ª edição é o cálculo da perda de estabilidade causada por tanques parcialmente cheios. O movimento do líquido dentro do tanque desloca o centro de gravidade virtualmente para cima, reduzindo o GM e tornando o navio menos estável

Definições Adicionais
  • Princípio de Arquimedes: O corpo mergulhado num fluido experimenta uma força igual ao peso do volume de fluido deslocado, agindo na direção vertical e aplicada no centro de empuxo.

  • Empuxo: Resultante da soma das forças verticais de pressão exercidas pelo líquido na superfície imersa do navio.

    • Equilíbrio em Navios: O empuxo iguala o peso do navio em repouso, onde CG e CC estão na mesma vertical.

Centro de Carena ou Centro de Empuxo
  • Definição: Centro de gravidade do volume de água deslocada, importante para a distribuição de pesos a bordo.

  • Posição do Centro de Carena em relação ao CG: O centro de carena está geralmente abaixo do centro de gravidade devido a pesos que estão colocados acima da linha de flutuação.

Altura Metacêntrica
  • Definição: Distância entre o centro de gravidade e o metacentro, uma medida de estabilidade transcendental.

Bordas Livres

  • Definição: Distância vertical da superfície da água ao convés, estabelecida durante o projeto e medida a partir da flutuação em plena carga.

  • Borda Livre Mínima: Marcada no costado para determinar a reserva de flutuabilidade necessária.

  • Normas em Navios Mercantes: Borda livre mínima é estabelecida em consideração ao tosamento característico.

Reserva de Flutuabilidade

  • Definição: Volume da parte do navio que está acima da superfície da água e pode ser tornada estanque.

  • Importância: Necessária para determinar a quantidade de carga que pode ser adicionada sem submergir.

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  • De acordo com a

    8ª edição da Arte Naval, a reserva de flutuabilidade é o volume estanque da embarcação que fica acima da linha d’água (plano de flutuação). 

    Aqui estão os pontos fundamentais definidos na obra para 2026: 

    1. Definição Técnica 

    É o volume compreendido entre a linha de flutuação em carga e o convés principal (ou o convés que garante a estanqueidade do casco). Representa a capacidade que o navio ainda possui de "receber peso" ou "suportar alagamento" antes de afundar. 

    2. Importância para a Segurança 

    • Sobrevivência em Avarias: Se o casco for perfurado abaixo da linha d'água, o navio afundará até que o volume da reserva de flutuabilidade compense o volume perdido pelo alagamento. Se a reserva for pequena, o navio afundará completamente.

    • Comportamento no Mar: Navios com boa reserva de flutuabilidade tendem a "galgar" as ondas com mais facilidade, evitando que grandes massas de água varram o convés. 

    3. Relação com a Borda-Livre 

    A reserva de flutuabilidade está diretamente ligada à borda-livre (distância vertical da linha d'água até o convés). 

    • Quanto maior a borda-livre, maior a reserva de flutuabilidade.

    • Por isso, existem normas internacionais (como a Convenção de Linhas de Carga) que proíbem o carregamento além de certa marca no casco, garantindo que o navio sempre mantenha uma reserva mínima de segurança. 

    4. Expressão de Medida 

    Diferente do deslocamento (que é medido em peso/toneladas), a reserva de flutuabilidade é tecnicamente um volume ( 𝑚3 ), embora muitas vezes seja expressa como uma porcentagem do volume total do casco. 

    Em resumo: É o "seguro de vida" do navio. É o volume que ele mantém "guardado" acima da água para emergências e para garantir a navegabilidade em mar grosso. 

Tosamento

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De acordo com a 8ª edição da Arte Naval (2019/2026), o tosamento (em inglês, sheer) é a curvatura longitudinal do convés principal de uma embarcação.

Enquanto a cambota (curvatura do vau) é a curva de um lado ao outro do navio, o tosamento é a curva da frente para trás (da proa para a popa).

1. Descrição Visual

Se você olhar o navio de lado (em perfil), o convés geralmente não é uma linha reta horizontal. Ele costuma ser mais alto nas extremidades (proa e popa) e mais baixo na parte central (meia-nau). Essa "concavidade" vista de lado é o tosamento.

2. Funções Principais

  • Reserva de Flutuabilidade: Ao elevar a proa e a popa, o navio ganha volume estanque adicional nas extremidades. Isso é crucial para evitar que o navio "mergulhe" de proa em ondas grandes.

  • Navegabilidade: Ajuda a manter o convés mais seco, dificultando que as ondas que batem na frente do navio subam e varram toda a extensão do convés.

  • Estética e Estrutura: Historicamente, o tosamento era usado para dar elegância e melhorar a resistência estrutural do casco às forças de flexão (alqueamento e contra-alqueamento).

3. Tipos de Tosamento

  • Tosamento de Proa: Geralmente é o dobro do tosamento de popa, pois a proa precisa de mais altura para enfrentar o mar.

  • Navios Sem Tosamento: Muitos navios mercantes modernos (como grandes navios de container e graneleiros) são construídos com tosamento zero (convés reto) para facilitar a construção, o empilhamento de carga e o uso de guindastes.

4. Linha de Tosamento

É a linha que define a altura dos bordos em cada ponto do comprimento do navio. Nos cálculos de Borda-Livre (regidos pelas normas da Diretoria de Portos e Costas), o tosamento é levado em conta: se um navio tem menos tosamento que o padrão, ele é obrigado a ter uma borda-livre maior para compensar a falta dessa proteção nas extremidades.

  • Definição: Curvatura na interseção do costado com o convés, influenciando a configuração do convés principal.

  • Significado duplo: Refere-se tanto à medida da curvatura quanto à curvatura que apresenta o casco.

Quebramento e Hôging

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Segundo a 8ª edição da Arte Naval, de Maurílio Fonseca, quebramento e hogging (alquebramento) são termos que descrevem diferentes tipos de flexão longitudinal da estrutura do navio, que age como uma grande viga.

Quebramento (Sagging)

O termo quebramento é o nome dado na engenharia naval para a flexão do casco em que a parte central do navio afunda e as extremidades (proa e popa) se elevam. 

  • Causa: Ocorre quando há um excesso de peso na região média do navio ou quando o navio navega com o meio da carena em um vale de onda e as extremidades sobre as cristas.

  • Esforço: Causa compressão na parte superior (convés) e tração na parte inferior (quilha). 

Hôging (Hogging ou Alquebramento)

Hogging é o termo em inglês para alquebramento, que é a flexão oposta ao quebramento. Neste caso, a seção mestra (meio) se eleva em relação à proa e à popa. 

  • Causa: Ocorre quando há mais flutuabilidade (empuxo) na parte central do navio do que peso, ou quando o navio navega com o meio da carena sobre uma crista de onda e as extremidades sobre os vales.

  • Esforço: Causa tração na parte superior (convés) e compressão na parte inferior (quilha). 

Resumo da Diferença

Característica 

Quebramento (Sagging)

Hogging (Alquebramento)

Formato

Meio afunda, pontas sobem

Meio sobe, pontas afundam

Esforço Convés

Compressão

Tração

Esforço Quilha

Tração

Compressão

Ambos são esforços estruturais críticos que os engenheiros consideram no projeto do navio para garantir a integridade do casco

  • Definição: Deformação temporária do casco, apresentando convexidade para cima devido à distribuição de peso, oposta a deformações inversas caracterizadas por proa e popa em cristas.

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Fim da Seção A - Definições