MSN - A Família para os Modelos Sistémicos e Terapia Familiar Sistémica

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De acordo com os modelos sistémicos a família é um…

…sistema.

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De um ponto de vista sistémico, descreve a família.

A família é um sistema emocional caracterizado por uma prolongada interação entre os seus membros, ao longo do ciclo vital. Este sistema é composto por subsistemas como o subsistema conjugal, parental, filial, (…)

A família está em permanente ligação com o exterior, sendo um sistema aberto, visto que é influenciada pelo seu ambiente.

Sendo um sistema e portanto tendo as características da totalidade e complexidade, a família é mais do que a soma dos seus membros, visto que, da interação prolongada, emergem novas qualidades do sistema.

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O sistema familiar tem duas características importantes. Quais são?

  1. Homeostasia;

  2. Capacidade para a Transformação.

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De um ponto de vista sistémico, o que é a homeostasia?

A homeostasia deriva do conceito da constância do meio interno através dos quais os sistemas tendem a manter o seu equilíbrio.

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De um ponto de vista sistémico, o que é a capacidade para a transformação?

A capacidade para a transformação diz respeito á competência da família para desenvolver processos de adaptação e de mudança ao longo da sua existência.

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O que é um sistema familiar rígido?

Um sistema familiar rígido é um sistema com grande homeostasia e uma pequena capacidade de transformação.

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De um ponto de vista sistémico, como é que o sistema familiar se transforma ou mantém a homeostasia?

Ao considerarmos a família como um conjunto formado por sistemas e sub sistemas, por exemplo o subsistema parental e filial, em interação, com uma certa coerência e autonomia o sistema familiar experimenta modificações no tempo, conservando uma certa permanência.

Postula-se que uma mudança num ponto tem repercussões em toda a família, levando-o a corrigir o sentido dessa mudança, regressando ao estado de equilíbrio anterior.

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Considerando o ponto de vista sistémico, como é que esse processo de autorregulação do sistema familiar funciona?

Este processo de autorregulação realiza-se através de um mecanismo de retroação (feedback) do qual se distingue o feedback positivo que amplifica o comportamento e o feedback negativo, que corrige a alteração de modo a voltar ao estado de equilíbrio anterior, mantendo a homeostasia.

9
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De um ponto de vista sistémico, como é que os axiomas da comunicação influenciam o sistema familiar?

Os axiomas da impossibilidade de não comunicar e os níveis de relação e conteúdo da comunicação são considerados por Daniel Sampaio os mais importantes.

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O que é o ciclo de vida familiar e porque é que este é importante para a compreensão da família de um ponto de vista sistémico?

Este conceito define que a família atravessa várias fases ao longo da vida, caracterizadas por diversas tarefas que têm de ser realizadas para passar à fase seguinte.

Os momentos de mudança de fase são períodos de instabilidade em que podem surgir conflitos entre os membros das famílias.

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Como era o ciclo de vida da família na sua formulação inicial?

O ciclo original era composto por 8 estádios:

  1. Casal sem filhos;

  2. Família com crianças pequenas;

  3. Famílias com crianças em idade pré-escolar;

  4. Famílias com adolescentes;

  5. Famílias com jovens adultos a saírem de casa;

  6. Progenitores na meia-idade;

  7. Progenitores na terceira-idade.

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Porque é que o ciclo de vida familiar pode não ser tão válido na atualidade?

As profundas alterações sofridas pelas famílias nos últimos 50 anos mostram que os agregados familiares atuais não seguem, muitas vezes, esta sequência linear: por exemplo, em casais onde ocorreu um divórcio e depois se dá a constituição de uma nova família.

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Porque é que o ciclo de vida familiar pode ser útil na atualidade, apesar dos seus problemas de validade externa?

A noção de ciclo de vida mantém interesse no campo da intervenção familiar preventiva, sendo que, considerando o estádio em que a família se encontra podemos atuar com antecedência sobre problemas que costuma acontecer nesse período.

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Como é que a primeira cibernética (Weiner) via os sistemas familiares?

Na primeira cibernética, assumia-se que o terapeuta familiar poderia obter mudança no sistema familiar permanecendo separado e não influênciado pela família.

Estes terapeutas partiam de uma teoria de uma família “saudável” e intervinham através de uma técnica terapêutica preconizada sem serem influênciados pela sua intervenção.

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Como é que a segunda cibernética (von Foerster) vê o sistema familiar?

Este autor refere-se à segunda cibernética como dizendo respeito aos sistemas observadores em que os pontos de vista do terapeuta e da família se envolvem num processo de influência mútua.

Para um terapeuta familiar de segunda cibernética, os terapeutas não têm, á partida, uma ideia definida de uma estrutura familiar, sendo que pretendem iniciar com a família um processo de cocriação que permite ao sistema em crise evoluir para um patamar de um novo equilíbrio.

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Qual é o principal objetivo da terapia familiar sistémica (TFS)?

O principal objetivo da TFS consiste em devolver á família em crise um novo relacionamento que possibilite a autonomia dos membros e aumente a sua união.

Uma família que procura ou é enviada para terapia é um sistema que, de algum modo, bloqueou o seu processo de desenvolvimento, não sendo capaz, por si próprio, de criar alternativas que possibilitem respostas às dificuldades

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Numa lógica de segunda cibernética, dá uma visão alargada da intervenção com famílias?

A segunda cibernética segue o conceito de Maturana: a autopoiese. Maturana considera que sistemas vivos são influenciados por um determinismo estrutural visto que são operacionalmente fechados, sendo que o seu funcionamento é determinado pela sua organização e não diretamente pelo exterior. Isto quer dizer que o psicoterapeuta apenas pode perturbar o sistema, sendo que este é que decide como responde à perturbação, com base na sua organização interna.

Quando se intervém com famílias, o terapeuta não tem um conceito de família a priori, mas vai querer coconstruir com os seus elementos uma nova visão dos problemas e suas soluções.

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Considerando as técnicas utilizadas na terapia familiar sistémica, o que é o questionamento circular?

O questionamento circular serve para introduzir possibilidades no diálogo terapêutico, mas, para que isso seja possível, deve haver uma circularidade da informação e isso faz-se pela forma como o terapeuta faz os seus questionamentos.

Neste sentido, as perguntas circulares ocorrem quando o psicoterapeuta tenta estabelecer ligações entre comportamentos, sentimentos, pessoas, (…) pedindo aos elementos que partilhem a sua perspetiva sobre as relações existentes nos sistemas e sobre as diferenças neste. Isto é feito assentando no pressuposto da circularidade.

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Porque é que o questionamento circular é tão importante no contexto da intervenção sistémica com a família?

O questionamento circular é uma ferramenta essencial para conseguir ouvir, pensar e intervir sistemicamente, uma vez que permite ao terapeuta entender a relação existente entre os membros do sistema e a perspetiva de individual de cada um relativamente a essas relações. Desta forma, o terapeuta consegue perceber as diferenças nas reações e pontos de vista dos diferentes elementos face ao problema.

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O que é que o questionamento circular permite?

O questionamento circular, por um lado, transmite neutralidade, aceitação e liberta os clientes da culpa, visto que respeita a causalidade circular dos sistemas.

Além disso, está a introduzir informação nova no sistema, sendo que, devido á intersubjetividade, cada pessoa tem a sua versão da realidade. Quando o psicoterapeuta pergunta a um membro como vê o comportamento do outro está a introduzir uma perspetiva no sistema que nunca foi enunciada para os restantes membros. Esta introdução de diversidade pode gerar a instabilidade necessária para a transformação.